Diários da comida: Quinoa, uma cultura rústica, uma cultura milenar

No primeiro post da série “Diários da comida”, lembramos da nossa viagem de 2019 para os Planaltos Bolivianos.

Por quê falar sobre comida?

O alimento é a nossa conexão com a natureza, é causa e consequência da nossa ação sobre a paisagem. Nos últimos anos nosso alimento tem sido produzido de maneira monocultural e a agricultura se tornou um grande paradoxo. A agrofloresta traz essa reconexão e sua prática pode resultar na interação sustentável entre comunidades humanas e meio ambiente. Mas tudo começa na comida!

A Quinoa

A comida do primeiro post dessa série você talvez já tenha ouvido falar e até quem sabe, experimentado. Nos últimos anos vem ganhando mais destaque no Brasil e no mundo, sendo mais conhecida pelas suas sementes, que são riquíssimas em aminoácidos essenciais, além de serem altamente nutritivas em comparação aos cereais como trigo, milho, arroz e aveia. Estamos falando da especial Quinoa (Chenopodium quinoa).

Nós da PRETATERRA pisamos nos solos rasos e arenosos dos Planaltos Bolivianos, de onde a cultura é nativa. Vimos como as plantas de quinoa se adaptaram ao clima rústico, onde apesar da elevada altitude, os níveis de pluviosidade são mínimos. Se não fosse a grande amplitude térmica entre os dias e as noites, poderíamos até relacionar com o aspecto árido como em algumas regiões do Brasil, em específico em algumas partes do Nordeste. Essa planta é resistente, tolerante e eficiente no uso da água, com uma extraordinária adaptabilidade ao seu meio. Um exemplo de uma das suas características notáveis está nas suas folhas, que tem alta capacidade de armazenamento de água.

Como estavam as plantações na Bolívia?

As plantações de quinoa lá dos altiplanos andinos não apresentavam uma colheita homogênea, pelo fato das próprias plantas estarem em diferentes estágios de desenvolvimento. Além disso, vimos que o solo se encontrava degradado, com uma taxa de decomposição bem baixa.

Para melhorar a área onde as plantas estavam, algumas das soluções seriam deixar a pastagem natural voltar e só depois plantar a quinoa entre linhas ao intercalar com uma vegetação nativa. Assim, ocorreria uma reciclagem do solo, pois ela cresceria acima das demais espécies e gradativamente, após algumas colheitas, com essa maior diversificação na área, as taxas de fertilidade do solo aumentariam. Além disso, outro fator importante seria adotar uma pastagem rotacionada para uma maior efetividade.

Um sistema biodiverso sempre trará mais benefícios para a terra, onde o resultado desse processo, muitas vezes pode ser apreciado e degustado à mesa. Se você tem interesse em saber mais sobre o cultivo de um alimento em específico, nos mande uma mensagem, poderá ser o tema da nossa próxima postagem.

Saiba mais sobre essa viagem que fizemos para a Bolívia e conheça esse plantio de quinoa aqui.

Saiba mais sobre agrofloresta:
Espécies, mão de obra, maquinário e mercado, todos devem ser escolhidos e analisados dentro um planejamento detalhado para resultar no melhor custo-benefício e retorno.
Indispensáveis na agrofloresta, as espécies de serviço tem várias funções, mas uma das principais é a produção de biomassa.
Recebemos a pergunta do Carlos, que é de Manaus e gostaria de implantar uma agrofloresta em 32 hectares, numa área que já é uma floresta.
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