Sistemas integrados de produção animal

A PRETATERRA explica: um pouco mais sobre os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e SILVIPASTORIS

Em sistemas pastoris, a eficiência é atribuída principalmente a quantidade de matéria orgânica no solo, volume de forragem produzida (ton/ha) e taxa de ocupação animal, resultando em benefícios ecológicos como sequestro de carbono, retenção de água e biodiversidade e menor necessidade de terra para produção. No entanto, poucos sistemas de manejo contribuem para que essa eficiência seja atingida em sua totalidade, resultando por vezes em áreas com algum grau de degradação. Alinhado a esse conceito de eficiência ecológica e produtiva, a adoção de sistemas agroflorestais, como os silvipastoris tem sido sinalizada como uma das opções mais eficázes para recuperação de pastagens degradadas e aumento de produtividade.

Atribui-se a isso, a incorporação de diversos serviços ambientais prestados pelo sistema. Esses sistemas caracterizam-se pela integração de árvores (nativas ou exóticas), pastagens mistas ou solteiras e componente animal, com intuito de obter produtos ou serviços dos componentes presentes. E destacam-se pela conservação de solo e recursos hídricos, sequestro de carbono e aumento da biodiversidade. O aumento da produtividade animal é justificado pela interação entre os componentes do sistema. As árvores contribuem para garantia do conforto térmico dos animais, proporcionando maior tempo de ruminação e menos de ócio. A redução das perdas energéticas para dissipar calor também tem influência nos índices produtivos e reprodutivos do rebanho. Quando alia-se leguminosas, tem-se contribuições nutricionais múltiplas tanto do aspecto animal como solo.

Criação de porcos alentejano no sistema montado

Agroflorestas são sistemas antropogênicos milenares que, em alguma instância, replicam ciclos ou disposições naturais, no tempo e no espaço, agregando plantas perenes lenhosas a arranjos produtivos integrados, pastoris ou agrícolas; promovendo maior diversidade biológica e resiliência ecológica. Essas características são encontradas no sistema agrossilvipastoril mais antigo da Europa, o Sistema Montado. Entre a década de 50 e início dos anos 90 houve uma disrupção no método ancestral de produção de porcos da raça Alentejana, no sul da Península Ibérica. A partir de 1990 esforços foram concedidos para a recuperação dos Montados e reintrodução do porco de montanheiro, conhecido pela sua qualidade ímpar. Atualmente, o sistema preserva as estratégias de manejo ancestrais que definiram a lógica do sistema e garantiram uma das mais belas paisagens portuguesas. O porco Alentejano e as árvores nativas do gênero Quercus são os principais componentes dessa prática milenar, e integrados garantem o equilíbrio ecológico e produtivo do sistema Montado. A raça Alentejana é extremamente adaptada as condições desse agroecossistema, apresentando boa conversão alimentar com os recursos disponíveis. Já os sobreiros (Quercus suber) e azinheiras (Quercus rotundifolia L.) geram as bolotas, frutos altamente energéticos e ricos em ácidos graxos monoinsaturados, que garantem ganho de peso compensatório dos porcos na fase de montanheira ou engorda, aumentando a gordura intramuscular e marmoreio. Os sobreiros, também são responsáveis pela produção das cortiças, tornando Portugal o principal fornecedor dessa matéria-prima.

 


Conheça nossos especialistas

Everton Lemos é Zootecnista (UNESP), pós-graduando em Ciência Animal e Pastagem (ESALQ-USP) e especialista em produção animal regenerativa.

Atua como consultor na PRETATERRA no planejamento, implantação e gestão de agroflorestas associadas à produção animal.

 

Saiba mais sobre agrofloresta:
Espécies, mão de obra, maquinário e mercado, todos devem ser escolhidos e analisados dentro um planejamento detalhado para resultar no melhor custo-benefício e retorno.
Indispensáveis na agrofloresta, as espécies de serviço tem várias funções, mas uma das principais é a produção de biomassa.
Recebemos a pergunta do Carlos, que é de Manaus e gostaria de implantar uma agrofloresta em 32 hectares, numa área que já é uma floresta.
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O que nós PRETATERRA chamamos de Exponential Lab é o nosso laboratório e área de Pesquisa & Desenvolvimento de Tecnologias Exponenciais para levar agrofloresta para outros rumos, outras instâncias e para novos horizontes.

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