Pecuária regenerativa em agrofloresta

O Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos, levando-o ao topo do ranking de exportação de carne no mundo. Estima-se que a área ocupada por pastagens no Brasil corresponda a 168 milhões de hectares, onde 80% se encontra em algum grau de degradação (Dias-Filho, 2007). Por isso, a atividade pecuária predominante é considerada um dos maiores responsáveis pelos impactos ambientais no mundo.

Um dos maiores indicadores de impacto ambiental de uma atividade, diz respeito as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Segundo a FAO (2016), as emissões mundiais ocasionadas pela ação antrópica totalizaram 54,3mt CO² eq., sendo a agropecuária e a mudança de uso da terra responsáveis por 24% do total. No Brasil, as mesmas atividades contribuem com 72% dos 2,3mt CO² eq. emitidos no país. Ainda segundo a FAO (2016), entre as atividades agropecuárias exercidas no país, a pecuária contribui com 65% das emissões.

Pastagens degradadas são a principal driver de impactos ambientais no mundo.

O status negativo da pecuária no cenário de emissões globais deve-se principalmente à grande área ocupada pelas pastagens mal manejadas e de baixa produtividade, o que contribui inclusive para a expansão da fronteira agrícola em regiões de floresta nativa. Um sistema de produção animal a pasto eficiente apresenta muita matéria orgânica no solo, alto volume de forragem e, consequentemente, alta taxa de ocupação animal. Além de maior produtividade, resulta em diversos benefícios ecológicos como sequestro de carbono e retenção de água no solo e menor necessidade de terra para produção.

Existem diversas estratégias para alcançar bons índices de produtividade em sistemas de produção a pasto. O mais comum é a intensificação do sistema, baseado em correção de fertilidade do solo, adubação das pastagens, adoção da suplementação na época seca, divisão dos pastos para rotação com base na amplitude agronômica ótima de cada capim, e ajustes na taxa de lotação com base na produção de forragem ao longo do ano. Os sistemas integrados (iLP e iLPF) ganharam destaque na agropecuária. No entanto, assim como a intensificação, dependem de um grande volume de insumos químicos e ainda não conseguem empregar o componente arbóreo de maneira viável, eficiente e biodiversa.

iLP e iLPF ganharam destaque na agropecuária brasileira, devido aos esforços em pesquisa e transferência de tecnologia da EMBRAPA.

A adoção dos sistemas agroflorestais, como os silvipastoris (SSP), tem sido sinalizada como uma das opções mais eficázes para regeneração de pastagens degradadas e aumento de produtividade. Os SSP caracterizam-se pela integração de árvores (nativas ou exóticas), pastagens mistas ou solteiras e componente animal, com o intuito de obter produtos ou serviços dos componentes presentes.

A presença de árvores como componente fundamental, seja para a diversificação da produção (madeireiros e não-madeireiros), seja para a complementação da forragem e melhoria da ambiência para o gado, destaca-se pela incorporação de serviços ambientais ao sistema, como a conservação do solo, regulação hídrica, sequestro de carbono e aumento da biodiversidade. As árvores contribuem para garantia do conforto térmico dos animais, proporcionando maior tempo de ruminação e menos de ócio. A redução das perdas energéticas para dissipar calor também tem influência nos índices produtivos e reprodutivos do rebanho.

Uso de feijão guandu (Cajanus cajan) como leguminosa forrageira para suplementação de pastagem, semeada junto com a braquiária.

Existem ainda, alternativas para tornar os SSP ainda mais regenerativos e biodiversos, com a inclusão de leguminosas fixadoras de nitrogênio, arbustivas ou arbóreas. Estas plantas auxiliam a contornar a curva de estacionalidade das forrageiras tropicias, e incrementar a dieta dos animais com uma forragem de maior qualidade. Esses sistemas são chamados de SSP intensivos (SSPi) devido a maior densidade de espécies forrageiras e arbóreas de serviço. A maior oferta, diversidade e qualidade da forragem nesses sistemas resulta em maior taxa de lotação, quando comparados com pastagens convencionais ou mesmo as intensificadas.

Inúmeras experiências em regiões tropicais demonstram que os sistemas pastoris mistos e arborizados apresentam maiores índices de produtividade, tanto do gado quanto do componente arbóreo. A ampla adoção de SSPi para produção de uma das principais commodities com estigma de degradação ambiental é uma estratégia definitiva de restauração produtiva da paisagem, agregando serviços ambientais a áreas de produção.

Agora, a PRETATERRA assume um novo desafio: o projeto Pasto Vivo

Com nossos parceiros da Luxor, Meraki Impact, Renature e EMBRAPA, vamos usar todo o nosso know-how de criação de designs modulares, replicáveis, elásticos e aderentes para elaborar uma solução para pecuária agroflorestal em larga escala, iniciando em uma propriedade piloto de 1.200 hectares no oeste do Mato Grosso. Acompanhem os próximos passos desse projeto inovador.

Saiba mais no site do projeto

Colaboração no texto: Everton Lemos – Zootecnista.

Saiba mais sobre agrofloresta:
Espécies, mão de obra, maquinário e mercado, todos devem ser escolhidos e analisados dentro um planejamento detalhado para resultar no melhor custo-benefício e retorno.
Indispensáveis na agrofloresta, as espécies de serviço tem várias funções, mas uma das principais é a produção de biomassa.
Recebemos a pergunta do Carlos, que é de Manaus e gostaria de implantar uma agrofloresta em 32 hectares, numa área que já é uma floresta.
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O que nós PRETATERRA chamamos de Exponential Lab é o nosso laboratório e área de Pesquisa & Desenvolvimento de Tecnologias Exponenciais para levar agrofloresta para outros rumos, outras instâncias e para novos horizontes.

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